segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Memórias

“As nossas recordações [...] são uma construção que fazemos a partir de fragmentos de conhecimentos que já eram, na sua origem,  interpretações da realidade e que, ao voltarmos a reuni-los, reinterpretamo-los à luz de novos pontos de vista”.(FONTANA, 1998, p. 267). A memória é uma fonte rica em informações, que possibilita recuperar e preservar dados importantes, os quais constituirão novas abordagens para (re) significar as nossas práticas.

Araújo e Mahfoud (2002, p.71) afirmam que “fotografias registram lembranças imutáveis de determinadas circunstâncias, de momentos vividos que são irreversíveis”. Além disso, enfatizam que há condições de rever a história particular da pessoa, trazendo à tona sensações e emoções carregadas de significados.

Moreira Leite (1998) propõe que:

As imagens visuais precisam das palavras para se transmitir e, freqüentemente, a palavra inclui um valor figurativo a considerar. O desenho ou a fotografia não reproduzem abstrações. Representam um caso concreto, um fato particular, o presente. A palavra revela melhor o conhecimento subjacente na memória que, todavia, é construído por imagens fixas. Mecanismos perceptivos e cognitivos ampliam a compreensão das relações entre a imagem e as diferentes formas de memória, que, pelo reconhecimento e pela re-memoração, constroem a ponte para o texto verbal. Ao que é impossível descrever, torna-se indiscutível a prioridade da imagem visual, por sua capacidade de reproduzir e sugerir, por meios expressivos e artísticos, sentimentos, crenças e valores. (MOREIRA LEITE, 1998, p. 44)


Então, as lembranças que as fotografias nos trazem, não são somente lembranças daquele dia, mas sim, é uma maneira de preservarmos a nossa identidade enquanto seres humanos que fazem e participam da história. Além disso, é através delas que podemos estabelecer relações do presente com o passado.

            Sucessivamente você verá diversas imagens fotografadas por mim durante a semana, exceto as duas últimas. Elas foram fotografadas durante essa semana, porque em meu baú de recordações poucas fotos tenho de objetos que contemplem a minha vida, a maioria das fotos contidas no acervo, são fotos de casamento de outras pessoas. Na minha época de criança poucas vezes fomos fotografados porque não se possuía maquina fotográfica e era muito cara para adquirir. Vim a adquirir uma máquina fotográfica quando comecei a estudar na universidade.
            Muitos destes objetos me marcaram e ainda marcam a minha vida, e também alguns deles ainda os utilizo, como é o caso da imagem abaixo. Esse utensílio doméstico se utiliza para a fabricação de manteiga, em estilo artesanal. Escolhi este objeto, porque quando minha vó o utilizava eu sempre queria participar da atividade de “bater” a nata para assim transformar-se em manteiga. Posso afirmar que a minha curiosidade sempre foi muito grande até eu descobrir como isso funcionava.


Após disso, como a maior parte do tempo vivia com minha vó, a galinha de enfeite ganhei dela. Essa galinha de vidro servia como um utensílio o qual se colocava açúcar. Então no período de Kerb, eu sempre empolgada, apresentava a galinha para os visitantes e colocava a disposição, na mesa, com açúcar para o café da tarde.

Seguindo, essa imagem me lembra de quando eu ia junto para a roça com a minha vó, para ajudá-la a cortar pasto para as vacas e limpar a sua horta de couves. Num certo dia ela me apresentou essa porunga. Há pouco tempo atrás fui para Novo Hamburgo ajudar meu pai a vender verduras, e me deparei com uma dessas, então solicitei ao homem que arrumasse algumas sementes. Logo ele pergunta por que eu me interessei nessa porunga, relatei então que isso recorda muito a minha vó, e também a minha infância. Com ela podemos fazer diversos brinquedos.

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