domingo, 28 de agosto de 2011

A força das imagens antigas

        
Revisitar os pensamentos de pessoas e lugares de antigamente, é viajar pelo tempo, isso nos sensibiliza pelo fato de que, estes sujeitos fizeram parte das nossas vidas, ou seja, constituindo e tecendo a nossa sociedade como se apresenta atualmente, claro que com o tempo muitas mudanças ocorreram, sem sem estas pessoas não seria como é hoje.

A educação para a zona rural, por muitos anos, foi relegada a segundo plano. As pessoas de zonas rurais, muitas vezes, são tratadas como seres humanos atrasados e “fora de lugar no almejado projeto de modernidade” (FERNANDES, CERIOLI, CALDART, 2004, p. 21). Esta visão decorre do modelo de desenvolvimento que vê o Brasil como um mercado emergente, com características predominantemente urbanas, desconsiderando, dessa maneira, os indígenas e os camponeses.
Nos anos de 1835 e 1838 se estabeleceram, na localidade de Morro dos Bugres, os primeiros moradores alemães, oriundos das Colônias Velhas, os quais eram naturais da região de Hunsrück, na Alemanha.

            Segundo Fleck (1994), os imigrantes vieram até o Brasil devido à pobreza que existia, durante o século XIX, entre a população alemã, sendo que muitos atenderam aos pedidos do governo brasileiro para virem ao Brasil.
           
            Sendo assim, o primeiro morador de Morro dos Bugres, tinha o sobrenome de Buchermann, originando-se assim o nome da localidade. Dedicavam-se ao cultivo de cereais, centeio, fumo, feijão e batata, para tanto cultivando a terra, desbravando as matas, abrindo roças. A situação inicial na agricultura era muito difícil, pois encontravam ali terrenos montanhosos, lutavam contra animais ferozes e até com índios.

            No ano de 1844, chegaram os primeiros colonos a Linha Herval, na qual hoje está situada a sede do município, encontrando assim terras mais propicias para a agricultura. Com o passar dos anos, a economia foi crescendo, tanto na agricultura como no setor calçadista. Em consequência disto o município se emancipou.
a escola Dr. Alberto Schweitzer, situada na localidade rural de Boa Vista do Herval, pertence atualmente a cidade de Santa Maria do Herval. Esta instituição ainda possui traços do ensino primário rural, dentre eles destaca-se a classe multisseriada. A maioria dos alunos é de origem germânica e preserva suas culturas germânicas sem receio.

            Com a instalação dos alemães nessa região, o professor Nestor relata que a primeira escola servia também como uma igreja. Esta era mantida pela comunidade e pelos membros religiosos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB). Estabelecendo uma relação com os estudos de Kreutz (2000, p.169) referentes a escola comunitárias de imigrantes no Brasil, encontramos convergência de informações quando o autor expõe que “a comunidade assumia tanto a construção da escola, que, com frequência, também era capela, como a manutenção do professor” .

            Além disso, Buss (p.44, 2003) afirma “no que diz respeito as escolas, costuma-se dizer que os imigrantes não puderam contar com o apoio do governo brasileiro, nem de autoridades  ou de outra entidade de seu país de origem nas primeiras décadas”, sobretudo, os imigrantes alemães tiveram que aprender sozinhos para superar as dificuldades encontradas no Rio Grande do Sul. Uma vez que o governo brasileiro não se preocupou em oferecer escolas para os imigrantes, o ensino passou a ser, então, administrado pelos próprios alemães, em suas residências, denominadas, atualmente, como escolas étnicas, tanto que, as aulas eram ministradas na língua germânica.

            Ahlert (2008) destaca que os alemães, apesar de ser um grupo minoritário entre os primeiros imigrantes, foram os que mais se preocuparam com a escolarização de seus descendentes, tanto que, até o ano de 1937, já possuíam 1.579 escolas em todo o Brasil. Entre elas, aponta-se, na imagem a seguir, a escola comunitária de Boa Vista do Herval.

Na imagem, é possível ver a comunidade reunida em festejos. Mais ao fundo, encontra-se a escola, com uma arquitetura típica da Alemanha: as casas enxaimel. Mais a frente, há um carro, na época chamado de Rural. Este foi adquirido com as arrecadação de lucros das festas e produtos que a escola produzia e vendia. O veículo era utilizado para transportar as pessoas doentes da comunidade para a cidade. Geralmente quem era o motorista era o professor primário. Seu Nestor recorda de muitas viagens que fazia com ela até a capital, Porto Alegre.


Os professores Nestor Schaumloeffel e João Schaumloeffel, nasceram e residem até hoje na mesma localidade onde começaram a lecionar, Boa Vista do Herval. Contam que cursaram Ginásio Normal em São Leopoldo, na Igreja Evangélica, no inicio da década 1950 e 1966, respectivamente.

A foto abaixo refere-se  ao início da construção da escola, esta ainda feita pelos imigrantes alemães. No livro de registros II, da comunidade Evangélica São Miguel de Dois Irmãos (1996, p.1) consta que “em 19 de setembro de 1965, em Boa Vista do Herval foi colocada a pedra fundamental do ‘Centro Rural Dr. Alberth Scweitzer’”

Para tanto, foi feita uma cerimônia com a presença da comunidade local, pastores alemães e demais autoridades. A escola ficou assim denominada, conforme a ilustração a seguir,
Com o passar dos anos, a instituição precisou ser ampliada e, por isso, foi transferida  para um local que possuía oito hectares de terra. Esse lote foi doado pela comunidade escolar.

Com tudo isso, posso concluir que as narrativas (re) significam ainda mais a vida de cada professor. O ensino rural da Escola Dr. Alberto Schweitzer realmente ocorreu graças a esses professores e às pessoas que acreditavam, e ainda acreditam, na educação do meio rural, que com seus saberes próprios puderam formar e educar muitas crianças de Boa Vista do Herval.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Produções estéticas

Este trabalho foi realizado a partir do livro “Dez casas e um poste que Pedro fez” do escritor Hermedi Bernardi Jr., com uma turma de educação infantil.

(Imaginem) Esta é a rua cheia de casas que Pedro fez...
 Esta é a casa amarela que Pedro fez, onde mora uma vaca chamada Flor Isbela. Se ela faz cocô ninguém fala nada.
Nem tu.
Nem ela.
Nem eu.
Eca!!!



Esta é a casa verde que Pedro fez,
onde mora um sapo da beira do rio.
Feliz, ele mete o dedo no nariz,
tira meleca,
faz bolinha pra enfeitar
a torta que dá pra vizinha.
Ninguém viu.
Eita, sapo pestinha!
 
Esta é a casa preta que Pedro fez,
 onde mora um boi.
Quando chove,
não dorme, o coitado,
pois tem medo de careta.
Atravessa a madrugada escondido
embaixo do rabo com um
olho fechado e o outro arregalado.
Xô, boizinho assustado!
 
Esta é a casa laranja que Pedro fez,
onde mora um boneco
todo requebrado.
Em vez de cabelo,
tem flor na cabeça por todo o lado.
Dizem que ele não tem coração.
Quando abre a boca faz
bolhas de sabão perfumado.
Que impressionante!
 
Esta é a casa marrom que Pedro fez,
onde mora Dona Cobra exibida
e colorida. 
Ela se dobra, se enrola,
se embola e rola na lama,
come casca de ferida
misturada com banana,
usa fralda tamanho enorme
pra não fazer xixi na cama.
Vixe que cobra mijona!
 
Esta é a casa vermelha
que Pedro fez,
onde mora um peixe vivo
debaixo de uma sacada.
Ele adora fazer chamego
na rosa despedaçada.
A Rosa, tirana,
atirou um beijo pro Cravo.
E o peixe, coitadinho,
pobrezinho, ô lá lá,
foi nadar noutro lugar.
Ah, que dó!
 
Esta é a casa rosa que Pedro fez,
onde mora um macaco listrado.
Ele usa pijama poá
e um sininho marrado no rabo.
À noite, come feijão
misturado com queijo
tipo parmessão,
tem pesadelo,
acorda assustado,
soltando pum pra todo lado.
Aviso: o banheiro está trancado!
                                     
                                  

  Isso aí são casas?
 Sem teto?
Sem chaves?
 Sem portas?
 Estranho, não acham?
E o endereço?
 
O endereço,
Pedro não é bobo (é poeta)
 e vai lhes contar:
 
- Avenida Cores, por todo lugar!
Esta é uma rua
Muito engraçada:
Casas sem chaves,
Bem habitadas.
Todos podem pintar o chão
Com a tinta de imaginação.
Todos podem sonhar na rede
Porque poesia não tem parede.
  


 

E se alguém mete a mão na panela...

Memórias

“As nossas recordações [...] são uma construção que fazemos a partir de fragmentos de conhecimentos que já eram, na sua origem,  interpretações da realidade e que, ao voltarmos a reuni-los, reinterpretamo-los à luz de novos pontos de vista”.(FONTANA, 1998, p. 267). A memória é uma fonte rica em informações, que possibilita recuperar e preservar dados importantes, os quais constituirão novas abordagens para (re) significar as nossas práticas.

Araújo e Mahfoud (2002, p.71) afirmam que “fotografias registram lembranças imutáveis de determinadas circunstâncias, de momentos vividos que são irreversíveis”. Além disso, enfatizam que há condições de rever a história particular da pessoa, trazendo à tona sensações e emoções carregadas de significados.

Moreira Leite (1998) propõe que:

As imagens visuais precisam das palavras para se transmitir e, freqüentemente, a palavra inclui um valor figurativo a considerar. O desenho ou a fotografia não reproduzem abstrações. Representam um caso concreto, um fato particular, o presente. A palavra revela melhor o conhecimento subjacente na memória que, todavia, é construído por imagens fixas. Mecanismos perceptivos e cognitivos ampliam a compreensão das relações entre a imagem e as diferentes formas de memória, que, pelo reconhecimento e pela re-memoração, constroem a ponte para o texto verbal. Ao que é impossível descrever, torna-se indiscutível a prioridade da imagem visual, por sua capacidade de reproduzir e sugerir, por meios expressivos e artísticos, sentimentos, crenças e valores. (MOREIRA LEITE, 1998, p. 44)


Então, as lembranças que as fotografias nos trazem, não são somente lembranças daquele dia, mas sim, é uma maneira de preservarmos a nossa identidade enquanto seres humanos que fazem e participam da história. Além disso, é através delas que podemos estabelecer relações do presente com o passado.

            Sucessivamente você verá diversas imagens fotografadas por mim durante a semana, exceto as duas últimas. Elas foram fotografadas durante essa semana, porque em meu baú de recordações poucas fotos tenho de objetos que contemplem a minha vida, a maioria das fotos contidas no acervo, são fotos de casamento de outras pessoas. Na minha época de criança poucas vezes fomos fotografados porque não se possuía maquina fotográfica e era muito cara para adquirir. Vim a adquirir uma máquina fotográfica quando comecei a estudar na universidade.
            Muitos destes objetos me marcaram e ainda marcam a minha vida, e também alguns deles ainda os utilizo, como é o caso da imagem abaixo. Esse utensílio doméstico se utiliza para a fabricação de manteiga, em estilo artesanal. Escolhi este objeto, porque quando minha vó o utilizava eu sempre queria participar da atividade de “bater” a nata para assim transformar-se em manteiga. Posso afirmar que a minha curiosidade sempre foi muito grande até eu descobrir como isso funcionava.


Após disso, como a maior parte do tempo vivia com minha vó, a galinha de enfeite ganhei dela. Essa galinha de vidro servia como um utensílio o qual se colocava açúcar. Então no período de Kerb, eu sempre empolgada, apresentava a galinha para os visitantes e colocava a disposição, na mesa, com açúcar para o café da tarde.

Seguindo, essa imagem me lembra de quando eu ia junto para a roça com a minha vó, para ajudá-la a cortar pasto para as vacas e limpar a sua horta de couves. Num certo dia ela me apresentou essa porunga. Há pouco tempo atrás fui para Novo Hamburgo ajudar meu pai a vender verduras, e me deparei com uma dessas, então solicitei ao homem que arrumasse algumas sementes. Logo ele pergunta por que eu me interessei nessa porunga, relatei então que isso recorda muito a minha vó, e também a minha infância. Com ela podemos fazer diversos brinquedos.

domingo, 14 de agosto de 2011

LIBERDADE E TRANQUILIDADE

Estar andando de navio pela primeira vez em alto mar, nós dá um frio na barriga, mas, o que mais vale a pena é apreciar as belas paisagens e viver intensamente esse momento.


Encarar e vida e seguir em frente, acreditar que cada um de nós chegará no outro lado da ilha, para que possamos apreciar as belezas que a vida e a natureza nos reservam. Ou mesmo, Preciosa (2005, p.22) diria que
Existir é expandir-se. E nascer é o primeiro grande evento na vida de qualquer um, aquele que inaugura nossa vocação de viajantes. Cortado o laço umbilical, somos arremessados a um outro espaço-tempo, um território de existência, onde encaramos e com o qual vamos construindo sucessivas paisagens subjetivas. E nessa vida-viagem, a que estamos atrelados, experimentaremos com certeza ora situações de extrema leveza, ora de inigualável peso.
Para viver esses momentos de medo, devemos nos encorajar e enfrentar os perigos e as armadilhas que a vida nos oferece e fazer delas um aprendizado para a nossa existência, mas para que tudo isso ocorra é necessário que a gente exista, para que assim começaremos a navegar por lugares desconhecidos e que depois de várias tempestades podemos ver que a vida valeu a pena.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

FOTOGRAFIAS

As fotografias registram parte de nossas vidas, revelam segredos e sensações vividas por nós.
Nesse dia me revelei, hehehe!!!!
Na minha infância não tive acesso a esses brinquedos, tive que ir junto com meus pais para roça, ajudar a plantar verduras. Quando ia na escola, não tinham esses passeios que são oferecidos as crianças atualmente. De vez em quando podia brincar de casinha em baixo de uma árvore, e ainda sozinha, sem amigos, pois naquele tempo, as pessoas moravam longe uma das outras.
A fotografia acima mostra que estou feliz, mas nunca pensei que um dia eu tivesse a oportunidade de entrar na piscina de bolinhas em pleno dia de serviço e também voltar a ser criança. A razão de ter entrado foi por uma boa causa: ajudar o meu aluno. Charles Chaplin diria que: "Uma pessoa pode ter uma infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer num berço de ouro e sentir-se enjaulada pelo resto da vida.